Por anos eu me orgulhei de ter tudo na cabeça. Os clientes, os combinados, as senhas, aquela ideia boa que surgiu no banho, o detalhe que o cliente pediu numa mensagem três semanas atrás. Eu achava que isso era ser bom no que faço. Até o dia em que percebi que era exatamente o contrário.
A ficha caiu num episódio bobo. Um cliente me lembrou de algo que ele tinha pedido, e eu não fazia a menor ideia. Tinha sumido. Não porque eu não me importei, mas porque na semana em que ele falou eu estava com a cabeça em outros cinco projetos, e aquela informação simplesmente não tinha onde se segurar. Ela passou e foi embora. E eu pensei: quantas outras passaram que eu nem soube que perdi?
Essa é a parte assustadora. A memória não te avisa quando falha. Ela só deixa o buraco lá, e você toca a vida sem saber o que caiu dentro dele.
O problema não era esforço, era arquitetura
Minha primeira reação foi a de todo mundo: vou me esforçar mais, vou prestar mais atenção, vou ser mais disciplinado. E isso durou, sei lá, três dias. Porque o problema nunca foi falta de esforço. Eu trabalho muito. O problema era que eu estava pedindo pra minha cabeça fazer uma coisa pra qual ela não foi feita: guardar com precisão centenas de detalhes de dezenas de frentes ao mesmo tempo.
A cabeça é ótima pra pensar, pra conectar ideias, pra ter sacada. Ela é péssima pra arquivar. Eu estava usando a melhor ferramenta que tenho pra fazer o pior trabalho possível pra ela. E enquanto ela estava ocupada tentando lembrar de senha de hospedagem, sobrava menos espaço pra ela fazer o que faz bem, que é pensar no negócio do cliente.
Construí um lugar pra cada coisa cair
Então eu fiz uma escolha simples de explicar e difícil de manter: tudo que importa sai da minha cabeça e vira registro. Cada cliente tem o seu espaço. Cada decisão fica anotada com a data, pra eu lembrar não só do que decidi, mas de por que decidi. Cada ideia solta tem onde aterrissar no segundo em que aparece, antes de evaporar.
Não é sobre a ferramenta. Pode ser um caderno, um aplicativo, um arquivo de texto. O que importa é o princípio: a sua cabeça é pra pensar, não pra estocar. Quando você tira o peso de lembrar, sobra energia pra criar.
E aconteceu uma coisa que eu não esperava. Quanto mais eu registrava o dia a dia, mais eu enxergava padrões. "Ah, esse tipo de cliente sempre trava aqui." "Essa solução já tinha funcionado antes." O registro deixou de ser só memória e virou uma espécie de mapa do meu próprio trabalho. Eu comecei a aprender com o que eu mesmo já tinha feito, coisa que antes se perdia.
O que isso tem a ver com você
Talvez você não toque uma agência, mas aposto que você também carrega coisa demais na cabeça. O recado do fornecedor, a promessa que fez pro cliente, a ideia de melhoria que teve e nunca tirou do papel. Tudo isso disputando espaço, e tudo isso correndo o risco silencioso de simplesmente sumir.
Eu não escrevo isso pra te vender nada. Escrevo porque foi uma das mudanças que mais melhorou a forma como eu trabalho, e porque quase ninguém fala disso. A gente acha que dar conta de tudo de cabeça é sinal de competência. Eu passei a achar o oposto: a competência está em construir um sistema que não depende de você lembrar de tudo num dia ruim.
Comecei isso porque uma informação se perdeu e me deu raiva. Continuei porque, pela primeira vez em muito tempo, parei de ter a sensação de que algo importante estava escapando sem eu ver.
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Talvez o problema não seja você, seja a falta de um sistema. Me chama no WhatsApp que eu te conto como eu organizo isso. Sem compromisso.
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